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sábado, 1 de agosto de 2015

CASSIANO FRANCISCO LOPES - 100 ANOS DE IDADE - NETO DO GUIA LOPES E SENHORINHA BARBOSA LOPES

CENTENÁRIO DE NASCIMENTO DO NETO DO “GUIA LOPES” E SENHORINHA  BARBOSA LOPES

03 DE AGOSTO 1915/2015
SENHOR CASSIANO FRANCISCO LOPES


Nesta página estarei dedicando uma homenagem, a um neto do “Guia Lopes” pela sua existência de vida física, 100 anos do seu nascimento que é praticamente desconhecido dos guia-lopenses, dos historiadores, das autoridades civis e militares.

Em matérias anteriores publicadas sempre levamos ao conhecimento do público, o nome de outros dois netos, os quais tive oportunidade de conhecer e conviver, que foram a Senhora Eremita Francisca Lopes, ja falecida e do Senhor Renato Francisco Lopes, ainda vivo (2015). Agora estou levando ao conhecimento dos leitores um pouco do Senhor “Cassiano Francisco Lopes”, irmão mais velho que o Renato e que está agora completando 100 anos de existência.

Cassiano Francisco Lopes, nasceu no dia 3 de Agosto de 1915, na Fazenda Cava, de propriedade, então do Senhor Alziro Lopes, em terras então pertencentes aos Município de Nioaque. (a cidade de Guia Lopes da Laguna foi em 1938 e emancipada em Município em 1953)
Cassiano Francisco Lopes é filho de José Francisco Lopes, penúltimo filho do Guia Lopes, cujo nome também era José Francisco Lopes. O Pai do Senhor Cassiano, foi prisoneiro de guerra, na Guerra do Paraguai, por cinco anos, assim como sua mãe, dono Senhorinha Barbosa Lopes, seus irmãos, outros familiares,  outras famílias brasileiras, na ocasião, residiam na Fazenda Jardim, margem da Rodovia que liga os municípios de Guia Lopes da Laguna e Bonito, a 1 km aproximadamente do centro da cidade. Sua mãe chamava-se Maria Rufino Lopes, descontente de índios da tribo terena.

Foram seus avos Paterno:

José Francisco Lopes e Senhorinha Maria da Conceição Barbosa  de Lopes

Foram seus Pais

José Francisco Lopes e Maria Rufino Lopes
Do casamento de José Francisco e  Maria Rufino, nasceram catorze filhos, sendo sete homens e sete mulheres.   

José Francisco Lopes
(Filho)
Maria Rufino Lopes
Conrado Francisco Lopes
Amarques Francisco Lopes
Marcos Francisco Lopes
Cassiano Francisco Lopes
Renato Francisco Lopes
Melania Francisco Lopes
Desidério Francisco Lopes
Marcelina Francisca Lopes
Catarina Francisca Lopes
Madalena Francisca Lopes
Doralina Francisca Lopes
Otilia Francisca Lopes
 Eremita Francisca Lopes
Senhorinha Francisca Lopes

José Francisco Lopes Maria Rufino Lopes -  membros da sua família - 1925

 Esta fotografia tirada  no ano de 1925, cuja Senhora Eremita,  filha de José Francisco, ainda  se recorda dos velhos tempos e ao olhar esta foto, foi motivo para recordações daquele tempo, que a cidade de Guia Lopes ainda nem existia, com o olhar atento, é possível identificar alguns membros da família Lopes: Da  esquerda para a direita, os maiores:
¨       José Francisco Lopes
¨       Marcos Francisco Lopes
¨   Madalena Francisca Lopes (Com seu filho no colo Geraldino Francisco Lopes)
¨    Maria Rufino Lopes (esposa de José Francisco Lopes, segurando no seu colo a filha Senhorinha Francisca Lopes).

a)      Da esquerda para a direita, os menores:
¨       Cassiano Francisco Lopes (com 5 anos de Idade)
¨       Renato Francisco Lopes (com a idade de três anos)
¨       Eremita Francisca Lopes (com a idade de sete anos)
¨       Otilia Francisca Lopes
         ¨       Doralina Francisca Lopes.




Momento Histórico, eu, José Vicente Dalmolin e Cassiano Francisco Lopes, em seus aposentos, Junho de 2015
Breve Resumo biográfico, conforme depoimento gravado em vídeo.

Morou e trabalhou na cidade e região de Guia Lopes da Laguna até o ano de 1946.

Em Guia Lopes da Laguna possuiu uma chácara como parte da Herança deixada por seu pai, mas acabou perdendo por outros ocupantes.

Depois desta data estabeleceu residencia e atividades profissionais nas regiões de Maracaju, Sidrolândia, Aquidauana, regiões de Bodoquena e Pantanal sul-mato-grossense.

A partir do ano de 1953 passou a estabelecer residencia e trabalho na cidade de Campo Grande e cercanias da Zona Rural.

No campo profissional exerceu diversas atividades, entre outras:

· Ajudou na administração dos bens do seu pai, antes do seu falecimento[1] (1948);

· Trabalhou na construção da estrada e ponte em 1937/38 sobre o Rio Miranda que interliga as cidade e municípios de Guia Lopes e Jardim;

· Serviços Gerais em Fazendas;

· Construção Civil;

· Carpintaria;

· Marcenaria;

· Comerciante;

· Trabalho na Construção da Estrada de Ferro entre Campo Grande e Ponta Porã.

Viveu conjugalmente com dona Maria por cerca de 50 anos, ela já era viuvá e tinha dois filhos. 

Embora nunca teve filhos sanguíneo, mas adotou e criou Maria Dalva Vieira da Silva, desde bebe.
Atualmente, mora ao lado da casa da sua filha Adotiva Maria Dalva, em um comodo, onde tem quarto, banheiro, e uma cozinha, quem lhe presta toda assistência.

 Cassiano ainda aos 100 anos de idade apesar dos desgastes naturais da idade, sua maior deficiência é a auditiva. Faz uso de aparelho. Esta deficiência dificulta um pouco as conversas, mas não foi impedimento para nossa pequena entrevista. Ainda tem mobilidade, visão, de modo tal que na maioria das vezes ele próprio prepara o café, o chimarrão e as refeições.   Quanto a mente está consciente, pode se dizer que está lúcido, apesar da memória já estar um pouco lenta, mas não compromete o raciocínio.

No campo da vida, congrega uma comunidade evangélica, embora no momento não frequenta, por dificuldades de locomoção e os horários compatíveis. 

Demonstra espírito de fé, desapego, e resignado com a vida.

Um homem que atinge a madureza centenária com a certeza de quem viveu as diversas experiencia da vida e que muitas lições aprendeu com ela. Lidar com as dificuldades. Até pouco tempo andava sozinho pela cidade de Campo Grande e prestava apoio de conselheiro aos que lhe procurava.

Homenagem que presto a este neto do guia lopes e seus descendentes, ao povo guia-lopense, aos estudantes, aos amantes da História. A você leitor amigo!

Se tiver paciência, assista o vídeo, no qual,  editamos apenas alguns trecho da nossa entrevista, incluindo a participação da sua filha adotiva Dalva.

Agradeço as pessoas que possibilitaram este encontro, que na verdade foram 20 anos de espera até localizar o endereço e agendar o encontro.

Ao seu irmão Renato Francisco Lopes, a professora Neudes Lopes, neta do sr. Renato, a senhora Miquelina Lopes, filha do Sr. Renato e a Maria Dalva, filha adotiva do sr. Cassiano Francisco Lopes.

Atualmente reside no Bairro Santo Amaro, Vila Palmira, em frente a Praça Republica Paraguaia, cidade de Campo Grande,  Capital do Estado de Mato Grosso do Sul, Brasil. (julho de 2015) Prof. MSc. José Vicente Dalmolin.



VÍDEO 1 – ENTREVISTA COM CASSIANO FRANCISCO LOPES
                 100 ANOS DE IDADE
VÍDEO 2  – ENTREVISTA COM CASSIANO FRANCISCO LOPES
                 100 ANOS DE IDADE

VÍDEO 3  – ENTREVISTA COM CASSIANO FRANCISCO LOPES
                 100 ANOS DE IDADE

[1] Jose Francisco Lopes, filho do Guia Lopes, Faleceu do dia 30 de Setembro de 1948, as 4 horas da madrugada com 85 anos e 9 meses e seu corpo foi sepultado no cemitério local.

terça-feira, 31 de março de 2015

COMO NASCEU A PRIMEIRA ESCOLA EM GUIA LOPES DA LAGUNA?

COMO NASCEU A PRIMEIRA ESCOLA EM GUIA LOPES DA LAGUNA HÁ 77 ANOS? E SEUS PROFESSORES?

1ª ESCOLA VISCONDE DE TAUNAY


UMA VISÃO DA PRIMEIRA ESCOLA CONSTRUÍDA DE  TAQUARUÇU RACHADO E BATIDO E COBERTA DE FOLHAS DE PALMEIRA BACURI

HOMENAGEM AOS TRÊS PRIMEIROS PROFESSORES DA ESCOLA PÚBLICA VISCONDE DE TAUNAY, NA CIDADE DE GUIA LOPES DA LAGUNA.

1º PROFESSOR: PAULO NUNES NOGUEIRA

2º PROFESSOR: NELSINHO (Martins Honésimo da Silveira).

3ª PROFESSORA: Normalista Srta. Milca de Souza Santos

NOTA:
No momento não dispomos de informações sobre sobre o primeiro e terceiro. Se algum leitor possuir informações gentileza entrar em contato conosco.

josedalmolin@bol.com.br
josevicentedalmolin@gmail.com

Nos idos do passado, ser professor (a) podia não ser uma profissão de remuneração meritória. Entretanto, o papel do “status quo” na sociedade era reconhecido. Ocupava cadeira de destaque nos eventos e em solenidades era convocado a discursar. Sem esquecer que o professor era respeitado como um agente do “saber” e contribuía na formação do caráter, civismo, da cidadania, ainda que dentro de outro contexto político conjuntural.

Considerando a maioria das Cidades Brasileira e Sul Mato-grossenses, Guia Lopes da Laguna é uma jovem anciã da terceira idade com apenas 77 anos de idade do seu nascimento 19 de março de 1938-19 de março de 2015. Diga-se apenas de passagem, que esta data é o ato solene religioso, dia de São José, o qual é o Padroeiro, por parte dos costumes oriundos do Catolicismo. Homenagem justa, já que o Guia Lopes, que deu origem ao topônimo chama-se “José” Francisco Lopes. O Ato Oficial aconteceu em 12 de Fevereiro de 1938, na sede da fazenda do filho do “Guia Lopes” que leva o mesmo homônimo do Pai, José Francisco Lopes, participou da fundação, oficializou o telegrama as autoridades e doou 25 hectares de terra da sua propriedade, para a construção do núcleo urbano.

Neste Artigo, trazemos a memória apenas os nomes dos três primeiros professores que deram início ao processo de escolarização das crianças e adolescentes dos primeiros anos da fundação da cidade. Para não sermos injustos, no momento oportuno, relembraremos o nome de outras professoras que continuaram o trabalho Educativo, na Primeira Escola Visconde de Taunay, atualmente desativada.

A memória histórica é curta! Por isso escrevo quando posso, para que os registros não se percam. Eu que dediquei os melhores anos da minha vida e saúde ao trabalho da Educação Escolar, espero que nas gerações futuras, lembrem-se de mim.

Mas vamos aos nosso propósito, resgatar as poucas referencias que encontramos sobre os dois primeiros professores.

FUNDAÇÃO:


Figura 1 ATO SOLENE DA FUNDAÇÃO DA CIDADE DE GUIA LOPES DA LAGUNA – Arquivo do Autor JVD. Copia Original cedida Por Leonor Flores Barbosa.


Figura 2 - LOCAL ATUAL ONDE ACONTECEU O ATO OFICIAL DA FUNDAÇÃO, COM A DENOMINAÇÃO DE "PATRIMÔNIO GUIA LOPES" Arquivo do Autor JVD.

ATO DE FUNDAÇÃO:

CONTEÚDO DO TELEGRAMA DO ATO DE FUNDAÇÃO E AS PREOCUPAÇÕES

Ressalto no conteúdo do telegrama, uma das preocupações e ao mesmo tempo um projeto almejada com a fundação do Patrimônio é a criação de uma “Escola”, vejamos:

“Pedindo Vênia vossência solicito nome povo patrimônio apelando sentimento patriotismo eminente chefe, possível fundação pequena escola federal, prática agricultura e pecuária, ramo nosso grandioso Estado, qual trará imenso resultado benéfico região onde tudo é feito sistema rotineiro”. 

“Exmo. Sr. Dr. Getúlio Vargas, 

DD. Presidente da República, Palácio do Catete, Rio. 

Qualidade ultimo filho sobrevivente velho sertanejo Guia Lopes, grata satisfação comunicar vossência, doze fevereiro, histórica Fazenda Jardim, minha propriedade, realizou-se grande reunião, fazendeiros, pessoas gradas, exmas. Famílias, municípios Bela Vista, Bonito e Nioaque, fim fundação Patrimônio Guia Lopes homenagem memória saudoso pai, tombou mesmo local, defesa integridade Pátria. Gesto nobre, patriótico, sob auspícios, briosa oficialidade, dignos sargentos 1º Cia. 4.ª B.S. há muito acantonado estas paragens, obteve grandes aplausos população por vir plantar rica vastíssima zona, exemplo verdadeiro civismo e sentimento patriotismo gerações vindouras. Reunião foi presidida digno comandante companhia, qual expôs fim mesma, dissertando feitos heróicos componentes Retirada da Laguna, quais tombaram vitimadas cólera, justamente solo onde se fundou Patrimônio. Dr. Sinézio Chavasco, fazendeiro palavra, congratulou-se ato patriotismo, relembrou feitos gloriosos Exército Nacional, dissertando atual regime sob benéfica orientação vossências. Foi dado conhecimento Dr. Interventor Federal, remetendo Ata dia 12 de fevereiro. 

Pedindo Vênia vossência solicito nome povo patrimônio apelando sentimento patriotismo eminente chefe, possível fundação pequena escola federal, prática agricultura e pecuária, ramo nosso grandioso Estado, qual trará imenso resultado benéfico região onde tudo é feito sistema rotineiro. Sede Patrimônio, localizada belíssima campanha, sob ponte rio Miranda, margem rodovia construída glorioso 4.º B.S. pouca distância campo Santo onde repousam restos mortais heróis Retirada da Laguna a poucos passos tapera onde viveu inesquecível Guia Lopes. 

Certo Vossências atendendo apelo prestando essa homenagem, velho sertanejo, imenso prazer dizer-vos que com 76 anos último filho sobrevivente Guia Lopes, morrerá satisfeito benefício mocidade vindoura, abençoado nome nosso Interventor Federal e Ilustre Presidente. 

Respeitosas Saudações

José Francisco Lopes”

PRIMEIRO PROFESSOR, SENHOR PAULO NOGUEIRA

Até o momento não encontramos uma fotografia onde se possa reconhecer o professor Paulo. Se algum dos seus desentendes dispuser, gentileza entrar em contato conosco.

Vamos conhecer o que escreveu o Sargento Odilon Queiroz, testemunho da História, em seu Livro, no momento ainda não publicado, no “Transpirar da Vida”:

“No dia 21 de março de 1938, foram matriculado na Escola “Visconde de Taunay”, 45 alunos de ambos os sexos. Figuravam entre os matriculados, as minhas filhas: Terezinha de Queiroz e Adalgisa de Queiroz de 8 e 6 anos respectivamente.

O prédio era aquele galpão-de-palha muito mal feito e muito mal coberto, que apenas uma neblina chegava para molhar tudo lá dentro, As paredes, portas e janelas tudo de taquaruçu rachado, batido de qualquer jeito e que tomaram formas tortuosas com o brusco ressecamento, acabaram de ser as vestimentas de sua pobreza. E como gostavam de trincar com o vento de úmido inverno! Impulsionado por ele, chegavam a balançar-se num vaivém, produzindo sons tristes e agourantes pelas gretas dos taguaruçus rachados de conformidade com a pressão do ar, imitando assim, velhos pífaros e flautins mal tocados numa orquestração sinistra, ora, a guinchar, ora num assombroso sussurro a sumir-se. Geladas e trêmulas ficavam as crianças; pálido e encolhido com as mãos nos bolsos era a desconsolada pose do professor.

O primeiro mestre que conseguimos, foi o Sr. Paulo Nogueira, que dentro do seu conhecimento, fez o que pode com zelo e carinho na alfabetização daquelas crianças até março de 1939.

Figura 3 - A ESQUERDA A ESCOLA VISCONDE DE TAUNAY, ATUALMENTE DESATIVADA E A DIREITA A IGREJA DE SÃO JOSÉ. Arquivo do Autor JVD. Original Revista Executivo Plus.


Figura 4 - VISÃO ATUAL - AO LADO DA IGREJA, SALÃO PAROQUIAL, ONDE LOCALIZAVA A ESCOLA VISCONDE DE TAUNAY. Arquivo do Autor JVD

O Senhor Bião Neto, no seu Livro-Diário de Guia Lopes, ainda não Publicado, assim escreveu:

(...) “Organizou-se uma comissão de moças e senhoras para à tardinha realizarem uma pequena procissão. Ficando ainda a critério do povo a escolha de um civil e indicá-lo ao Sr. Antônio de Oliveira Flores, prefeito de Nioac para ser nomeado professor da escola mista Visconde de Taunay, engenheiro heroico da Coluna Coronel Camisão, nesse mesmo dia 19 de Março de 1938, uma comissão organizada entre os civis achou por bem dar imediato conhecimento às autoridades superiores do País e do Estado e Telegraficamente foi dado conhecimento ao Dr. Julio Struling Muller, Interventor do Estado de Mato Grosso e ao Iminente Presidente da Republica, Dr. Getulio Dornelles Vargas, (...)”

(...) “Em seguida tendo sido escolhido o Sr. Paulo Nunes Nogueira, para o cargo de professor do povoado, foi combinado com o prefeito de Nioac, Sr. Antônio Oliveira Flores, a inauguração e posse do Sr. Paulo Nunes Nogueira no dia 31 de Março de 1938, ficando nesse ponto encerrada a (2ª.) segunda reunião de civis e militares, neste povoado. (...)”

(...) “Lá se vão doze dias, chega 31 de Março de 1938, e conforme havia ficado combinado, chega o Sr. Antônio de Oliveira Flores, prefeito de Nioac, acompanhado de grande caravana de autoridades civis e militares de Nioac, o dia estava nublado com chuvisqueiros fino como se vê na foto a direita, mas mesmo assim simbolicamente, foi inaugurada a escola mista “Visconde de Taunay”. Ato contínuo foi dado posse ao 1º Professor do povoado: Sr. Paulo Nunes Nogueira, em solenidade simples de pouca duração e logo foi encerrada a (3ª) terceira reunião realizada neste povoado.(...)”

O SEGUNDO PROFESSOR NOMEADO PARA LECIONAR NA ESCOLA MISTA VISCONDE DE TAUNAY – 

PROFESSOR NELSINHO (Martins Honésimo da Silveira).

Vale recordar que naquela época a denominação “escola mista” era uma sala de aula onde estudavam juntos meninos e meninas. 

Também era uma sala de aula, denominada “multisseriada” onde um único professor ensinava todas as disciplinas e à alunos de diferentes ano de escolarização.

O autor Odilon de Queiroz, assim registrou sobre o professor 

Nelsinho, como era chamado, por conta do nome de seu Pai Nelson.

(...) “O professor Paulo Nogueira foi substituído pelo Sr. Martins Honésimo da Silveira, por ter sido este nomeado por autoridade competente, como professor da referida escola. Nelsinho, era como o chamavam. Homem trabalhador e inteligente, o Sr. Honésimo veio do Patrimônio Bonito, onde morava. Nem só a Escola Visconde de Taunay tomou impulso valioso, como também o Patrimônio Guia Lopes, em geral, por ser o professor Martins Honésimo da Silveira de elevada competência, dinâmico e atirado. Era portanto o braço o direito de Guia Lopes da Laguna. Tudo com ele caminhava para frente, mesmo através de grandes dificuldades e de absoluta falta de recurso que enfrentava o Patrimônio, para resolver as menores causas. Nelsinho, promovia bonitas e animadas festas cívicas em grande datas nacionais, merecendo por tudo, os melhores encômios pela força correta que apresentava a Escola Visconde de Taunay nessas datas festivas. Impressionava sobremaneira a todos, o entusiasmo vivo das crianças dessa pequena escola, a cantarem com perfeição, com calor, os hinos pátrios.

A poder de donativos que só ele podia conseguir, transformou logo o triste galpão-de-palha considerado – “Escola Visconde de Taunay” – que só tinha de bom e de bonito o nome, porque nada valia, num pavilhão de madeira de 12mx7m coberto de telha francesa que abrigava melhor as crianças. 

Não conformando ainda com isso, sem perca de tempo tratou de dar andamento num edifício de material, não só importante e digno para o povoado, não só para o seu fim, como também, para o seu nome honroso. E assim, nova luta procede. Promovendo quermesses, e com as suas rendas e donativos, começa a obra, pois, sentia-se mal em ver a nossa Guia Lopes da Laguna tão pobre e tão sem jeito.

Mas, de uma hora para outra, o Patrimônio perde este homem herói, e a Escola Visconde de Taunay, o seu grande mestre. A morte golpeou lhe surpreendentemente, roubando uma vida tão útil e muito preciosa ao progresso do lugar. Fora vítima de uma forte congestão.

Para nós, companheiros de sublime ideais tão significativos à grandeza de nossa Terra, foi motivo de grande pesar, de tristeza, de luto, a sua morte.(...)

Bião Neto registrou:

“Atendendo um apelo dos moradores do patrimônio e região, o eminente Interventor Federal Dr. Julio Struling Muller, nomeou para o cargo de professor do povoado o Sr. Martins Onessimo Silveira, que se vê na foto a direita, como primeiro professor público do Patrimônio Guia Lopes, que no dia (4) quatro de Março de 1940 as (7) sete horas, batendo no velho pedaço de eixo de carreta, alegremente naquela risonha segunda-feira, iniciava as aulas a (32) trinta e dois alunos de ambos os sexos, no colégio de taquara batida, coberto de telhas, que a foto abaixo nos mostra, vendo-se vários alunos em recreio, em seu pátio separado das meninas e mocinhas”. 

“Nos dias 13 e 19 realizaram-se os festejos de São José, padroeiro do povoado, uma pequena procissão e barraquinha à noite. Os fazendeiros e moradores do povoado e região satisfeitos com o dinamismo do professor Martins O. Silveira têm matriculados filhos e filhas moços e moças, como se vê na foto abaixo, pois antes da fundação deste povoado não havia escola neste rincão de nossa pátria, as crianças nasciam, cresciam analfabetos e pagãos; no centro da foto mencionada se vê sentado o professor Martins O. Silveira e um grupo de suas alunas”

“E para completar o funesto cenário, no dia (7) sete de Janeiro de 1941, às 10 horas morre o tão querido professor Martins H. Silveira; o qual foi substituído pela a normalista Srta. Milca de Souza Santos...”

O Professor Nelsinho (Martins Honésimo da Silveira) era filho da professora Durvalina Dorneles Teixeira e Nelson Teixeira. Fora casado com a Senhora Marcelina Leite Silveira


Figura 5 - CÓPIA EXTRAÍDA DA REVISTA - CRÔNICAS HISTÓRICAS DO MUNICÍPIO DE BONITO, 1978, PAG. 39. COPIA FORNECIDA PELO SENHOR AROLDO MONTEIRO, 2015.


Figura 6 - PROFESSOR NELSINHO (MARTINS HONÉSIMO DA SILVEIRA) ERA FILHO DA PROFESSORA DURVALINA DORNELES TEIXEIRA E NELSON TEIXEIRA. FORA CASADO COM A SENHORA MARCELINA LEITE SILVEIRA - CÓPIA DA FOTO CEDIDA PELO SE. AROLDO MONTEIRO, 2015.

Figura 7 - FOTO AMPLIADA PELO AUTOR. 1939. À ESQUERDA JOSÉ FRANCISCO LOPES (FILHO DO GUIA LOPES E ASSINOU O TELEGRAMA DE FUNDAÇÃO) NO CENTRO O PROFESSOR NELSINHO E À DIREITA O PADRE REDENTORISTA DE AQUIDAUANA PAULO BUTLER. Arquivo JVD.


Figura 8 - VISTA 1939 EM FRETE DA ESCOL E DA IGREJA. a DIREITA A PRIMEIRA SENHORA, A ESPOSA DO PROFESSOR NELSINHO. a ESQUERDA DE PALETÓ COR CINZA, ENTRE A ESCOLA E A IGREJA, CRIANÇAS A FRENTE, CABEÇA DESCOBERTA, O SENHOR BRASILIO BARBOSA, PRIMEIRO PREFEITO NOMEADO, NESTA OCASIÃO ERA JUIZ DE PAZ. Arquivo do Autor JVD. Original cedido por Leonor Flores Barbosa.

“Pelo decreto federal nº 5.812 de Setembro de 1943 foi criado o território federal de Ponta Porã[1], capital na cidade de Maracaju, ao qual ficou pertencendo este patrimônio, mais sempre subordinado a comarca de Aquidauna, sendo seu primeiro Governador o Coronel Ramiro de Noronha e substituto o Major Respicio do Espírito Santo. Em 16 de Outubro, o Coronel Ramiro de Noronha, de passagem por este povoado, determinou a divisão da “Escola Mista Visconde de Taunay”, em (4) quatro classes isoladas, ficando esse serviço a cargo do construtor Luiz Biscaro, que se comprometeu em entregar a obra devidamente concluída até o dia 20 de Dezembro, o que de fato aconteceu no dia 18 de Dezembro, em nome do Senhor prefeito Antônio Francisco Xavier, eu recebi o serviço ultimado dentro do que foi contratado, para segurança dos alunos e seus professores. E com essa obra tão necessária 1943, vai declinando no distante poente, deixando longuíssimos raios visíveis azul-marinho cruzando o firmamento, do ocidente para o oriente.” (Segundo Bião Neto).


Figura 9 - PRÉDIO QUE ABRIGOU A ESCOLA VISCONDE DE TAUNAY - PRÉDIO DE ALVENARIA - ATÉ A SUA DESATIVAÇÃO. FOTO AMPLIADA. ARQUIVO DO AUTOR JVD. PRÉDIO QUE TEVE INICIO DA CONSTRUÇÃO PELO PROFESSOR NELSINHO E COMUNIDADE.

[1] O Território de Ponta Porã foi um território federal brasileiro criado em 13 de setembro de 1943, conforme o Decreto-lei n.° 5 812, do governo de Getúlio Vargas.

Com a entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial o governo decide desmembrar seis territórios estratégicos de fronteira do país para administrá-los diretamente: Amapá, Rio Branco, Guaporé, Ponta Porã, Iguaçu e o arquipélago de Fernando de Noronha.

O Decreto-lei n.° 5 812, que criou o Território Federal de Ponta Porã, estabeleceu que o mesmo seria formado do município de Ponta Porã (onde foi instalada a capital) e mais seis outros: Porto Murtinho, Bela Vista, Dourados, Miranda, Nioaque e Maracaju. A capital foi transferida para Maracaju em 31 de maio de 1944 (Decreto-lei n.° 6 550), voltando a Ponta Porã em virtude de Decreto de 17 de junho de 1946.

O território foi extinto em 18 de setembro de 1946 pela Constituição de 1946, e reincorporado ao então estado de Mato Grosso. Atualmente a área do antigo território de Ponta Porã faz parte do estado de Mato Grosso do Sul

Seu governador durante os três anos de existência foi o militar Ramiro Noronha. (pt.wikipedia.org/wiki/Território_Federal_de_Ponta_Porã‎).