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segunda-feira, 19 de março de 2018

GUIA LOPES DA LAGUNA - 80 ANOS DA FUNDAÇÃO DA CIDADE 1938 * 2018 - II

Guia Lopes da Laguna
80 anos da Fundação da Cidade
(A última filha caçulinha do município de Nioaque)
19 de Março de 1938 – 19 de março 2018
Parte 2

Na primeira parte esboçou os preâmbulos para a fundação de um Patrimônio. Tornou-se um ato oficial, porém ainda sem nenhum marco que pudesse caracterizar um bem imóvel.

A concretização veio a se dar sobre dois esteios que são pilares institucional de uma sociedade, a Religião, sob a construção da Igreja de São José e a Educação que  concretizou na construção da Escola Visconde de Taunay.  Os demais fatos serão decorrentes.
O Sonho foi de três servidores públicos da Nação Brasileira, os Sargentos: Sargento Luiz Fioravante, Sargento Odilon de Queiróz, Sargento José Antônio Bulhões.  Entretanto a realização deste sonhos, Projeto de fundação de um Povoado, que se tornaria uma cidade e posterior município, Guia Lopes da Laguna foi a soma de mãos e recursos de muitas pessoas que acreditaram no  sonho.
Deste modo, a cidade de Guia Lopes da Laguna através dos seus munícipes devem à memoria de todos os homens e mulheres, jovens e crianças, civis ou militares que tornaram possível o 19 de março esta data festiva.
Devemos nos orgulhar: Não temos um Fundador, mas as mãos e mentes de diversos Fundadores e cofundadores.  Minha gratidão!

A Igreja de São José
Empreitou-se a mão-de-obra da construção da igreja, com o paraguaio Liberato Delgado por 600$000 réis, cujo prédio, de 8m x 4m, de taipa, rebocado, caiado por dentro e por fora, como uma porta à frente, uma do lado direito e uma janela no lado esquerdo, coberto de telha francesa. O caminhão que transportava as telhas de Aquidauana permitido  Senhor Major Amaurílio Osório, que estava comandando interinamente o Batalhão.
A madeira, dada gratuitamente ao pé da obra, pelo fazendeiro Macário Aristimunha.
A primeira imagem de São José
O Tenente José França, dias depois daquela sua importante oratória de 12 de fevereiro, foi transferido para o 1o B. E. no Rio de Janeiro. Antes de partir, porém, doa para o patrimônio a nascer, uma bonita imagem de São José, a qual medindo 0,75m de altura, adquirida à casa comercial de Luiz Mengelli, da praça de Aquidauana.
Altar
Para servirem de altar:  1 pequena mesa e 3 caixotes; 1 andor e 1 mastro para hasteamento a Bandeira Nacional, pelo soldado carpinteiro Roriz.
A Escola Visconde de Taunay
A construção do rancho para a escola ao lado da igreja foi empreitado com o sr. Pedro Rodrigues da Silva, pela quantia de 170$000 réis sendo o seu tamanho de 8m x 4m, cujas paredes, portas e janelas de taquaruçu rachado bem batido e a coberta de palha de bacuri.
O Poço de água
O poço foi aberto e construído por dois trabalhadores pago pelo Sr. Basílio Barbosa, como ajuda a fundação do patrimônio.
A demarcação da Praça, ruas e quadras urbanas
No dia 14, segunda-feira, iniciou-se os trabalhos. Com uma cruzeta, tendo em cada ponta um prego de 15x15 para melhor visada, corrente de agrimensor, trena e balizas, eu, Bulhões, Fioravante e algumas praças disponíveis sem prejuízo de seus deveres e obrigações, começamos as demarcações de Guia Lopes da Laguna com medições de quadras, lotes, ruas e praças que, em face dos instrumentos competentes.
Fotografia abaixo, escritório do  Acampamento da 1ª Companhia do 3º Sapadores, ano de 1938, situado ao lado direito, após o Posto Ipiranga Mariely, sentido Guia Lopes da Laguna estrada da Ponte Velha  à cidade de Jardim.
O padre Redentorista Paulo Butler e José Francisco Lopes, o Filho do “Guia Lopes” Em frente do escritório do Comandante, no Acampamento da  Companhia de Sapadores, 1938
Loteamento, venda e escritura
A procura de compras de lotes relativamente boa, em poucos dias tínhamos vendido bastante. Tendo assim que, na inauguração da fundação do patrimônio, já havia construções bem adiantadas, como as dos Monteiros, a do Nenê Barbosa e outras...
As escrituras eram passadas pelo tabelião de Nioaque, Sr. Sebastião Medeiros, que a chamado nosso, vinha para tal.
De cada lote vendido, cabia ao Sr. José Francisco (Filho do Guia Lopes), o doador das terras, no mínimo 20$000 réis que na ocasião, sempre estava presente, porque mandávamos chamá-lo para os devidos fins.
Para se ter uma ideia, um hectare de terra naquela época, era  vendido em torno de 15$000 réis nessa região.
Limpeza da área
Destocamento, roçada, capina e limpeza de uma área de 100m x 50m, compreendida entre a faixa da estrada e o local da igreja e escola, por uma turma de 20 soldados, depois de terminados os seus deveres na Companhia, nos dias 17 e 18 de março, sendo que, o próprio Sargento Queiroz, deu um murro danado por carregar galeotas e carrinhos, de tocos, pés de caraguatá, de guavira e cinzas das coivaras que tocamos fogo, até ao escurecer da véspera, sexta-feira, dia 18, para ficar bem limpo.
A busca do Padre em Aquidauana para celebração da missa e benção do Patrimonio Guia Lopes

Foi o próprio Queiroz, um dos idealizadores e fundadores do Patrimonio que foi buscar as telhas e a imagem de S. José em Aquidauana, e  esteve com os Padres Redentoristas – Norte Americanos.  Com absoluta franqueza os cientificou de toda a  história, dizendo-lhe por fim, que não podíam pagar-lhes nenhum transporte para a ida de um padre no dia 19 de março, dia de São José, a fim de celebrar a primeira missa, proceder à bênção e o batismo de Guia Lopes da Laguna.
No dia 18 à tarde,  uma telefonema de Nioaque por intermédio do telegrafista Benevides daquela cidade – chefe da Agência dos Correios e Telégrafos Nacional, dizendo que o Padre Paulo Butler, norte-americano, chegaria a Fazenda Jardim, às 8 horas da manhã, 19.

Os preparativos para os festejos e a chegada da vizinhança

Havia muita gente chegada de fora do povoado nascente.
Várias carretas eram vistas num ponto e noutro, por baixo das árvores mais copadas cujos donos, ali mesmo fizeram pouso, porque não havia um lugar onde pudessem ficar abrigados. De sorte que, ao pé das carretas, o fogo ardia e bom chimarrão tomava-se; bom churrasco, boa mandioca e farinha, comia-se.
Muita gente ocupou o pequeno rancho-de-palha da escola outros se arrumaram pela vizinhança, em casas de parentes e conhecidos, como à do Basílio Barbosa, à do Irineu Vieira de Sousa, do Macário Aristimunha, do Fábio Martins Barbosa à do Sr. Francisco José Lopes Filho e outras... O Bolicho do Nenê Barbosa e a loja dos Monteiros, cujas casas ainda estavam em construção, ficaram apinhados. No possível, muitos se abrigaram também em ranchos do acampamento da 1a Companhia.
O altar da pequena igrejinha foi arumado da melhor forma possível por diversas Senhoras.
À igreja e à escola, bem como no respectivo pátio, foram colocados cordões de bandeirinhas de papel de cores, de vez que, nada mais, como ornamentação, pode se fazer.

Sábado, 19 de março de Março de 1938, a Solenidade militar, religiosa e civil
A Bandeira Brasileira tremula no topo do mastro. O Sol brilha nos primeiros dias do Outono. O Brasil, Mato Grosso, Nioac, recebem nas benção do Cruzeiro mais uma pequena estrela, mas que já nasce em primeira grandeza no contexto da História desde o ano de 1858, quando José Francisco Lopes (Pai) o imortal Guia Lopes nos registros de Alfredo Taunay e de Dona Senhorinha Maria Conceição Barbosa Lopes, foram morar na Fazenda Jardim.
Uma salva de 21 tiros de bonitos estrondos festivos e muito ecoantes foi disparado.
Por volta das 9 horas, chegou o padre Paulo na sua própria condução, uma camioneta, transportando ainda de Nioaque o nosso o Dr. Chavasco e outras autoridades de prestígio daquela cidade, onde o povo, infelizmente, também não acreditava na história de um patrimônio, por achá-la sem pé e sem cabeça o qual inventada de uma hora para outra, e, por simples sargentos. Sargento Luiz Fioravante, Sargento Odilon de Queiróz, Sargento José Antonio Bulhões. Além disso, não o olhava com bons olhos.
O único oficial que se encontrava no acampamento, era Ten. Afonso Meneses Dipp.
Já havíamos pedido antecipadamente a ele, para que a 1a Cia. formasse em tomando parte às festividades, de maneira que o Pavilhão Nacional fosse hasteado solenemente para as honras cabíveis à fundação de Guia Lopes.
Na frente da igreja e escola, estava preparado o mastro de bonito taquaruçu com respectivo cordel, pronto para receber a Bandeira.

Guia Lopes da Laguna. Á esquerda a primeira igreja de São José e a direita a primeira Escola, denominada Visconde de Taunay inauguradas no dia 19 de março de 1938.
Às 10h30min, a grupamento da 1a Companhia de Sapadores, do Batalhão de Engenharia de Aquidauana, 6º BEC. estava em forma no acampamento numa linha bonita e correta. Às 11 horas em ponto o Ten. Dipp, comandando-a, deu ordem ao corneteiro Sd. Abílio Corrêa, a dar o toque de sentido. Incontinenti, a sagrada Bandeira foi hasteada sobre o toque de marcha batida num enérgico e vivo rufar de tambores.
Em continuação à cerimônia, cantou-se o Hino Nacional. Ao seu término o Ten. Dipp com voz altiva e forte, deu vivas ao Patrimônio Guia Lopes e ao Brasil, foi acompanhado por todos os presentes num arrojo impressionante de perfeito patriotismo.
A missa teve seu início logo em seguida. Carinhosamente e muito confiante às suas preces, o padre Paulo Butler procedeu a bênção e o batismo da cidade nascente. Desta forma tão solene e de toda a fé, foi celebrada a primeira missa em Guia Lopes da Laguna.
Ao meio dia foi servido um suculento churrasco como almoço para todos os presentes.
Às 16 horas houve procissão, o qual padre Paulo opinou que se fosse até à ponte do rio Miranda. Era bonito ver-se a estrada de grande multidão que acorreu à festa, num cortejo de fé pelas cousas sagradas.
Às 18 horas, ao término da procissão, o singelo andor com a imagem de São José, o que recebia a incumbência de Padroeiros ou Padrinho espiritual do novo povoado,   recolhia-se à sua capela – aquela igrejinha de taipa.
Às 20 horas houve novena.
O padre fez muita confissão até alta noite.
Como tinha feito bastante lanternas de papel de cores para adaptação de velas, o respectivo pátio da igreja e escola ficou iluminado à noite durante as festividades.
Embora não houve o baile festivo oficial, pois não havia recursos para tal fim. Entretanto, pelas vizinhanças, na casa do sr. Fábio Martins Barbosa, na do Sr. José Francisco Lopes  e de outras mais, não deixou de haver o “arrasta-pé”.
No domingo dia 20 de março os festejos continuaram pela redondeza. O Padre Paulo continuou com os serviços sacerdotal atendendo a população celebrando missa, casamentos e batizados. Entre os dias 19 e 20, fez perto de 45 batizados.
Pe. Paulo, tornou-se grande amigo de Queiroz, onde passou a fazer refeições nas suas idas ao Patrimônio Guia Lopes da Laguna, fez  todo o empenho para conseguir do Pe. Superior Francisco Mohr, a vinda de um sacerdote todo primeiro Domingo de cada mês, para celebrar missa e proceder outros deveres religiosos, e que gostaria de ser o indicado.
Dias depois, Queiroz recebe uma carta sua, dizendo com grande satisfação que havia conseguido a ida de um padre ao Povoado de Guia Lopes da Laguna, no primeiro domingo de cada mês, e que estava muito contente por ter sido escalado. Desta forma, o Pe. Paulo só deixou de vir ao Patrimônio, por lhe aparecer a doença grave, pulmonar. Ele era de origem norte-americana.
Outro padre o substituiu. Foi o Pe. Jaime Hegles. Religiosos, da Congregação dos Redentoristas norte-americanos.
Vista da população presente na solenidade civil, militar e religiosa de fundação do Patrimônio de Guia Lopes, em 19 e março de 1939

O caderno ou livro-de-ouro

Havia-se comprado um pequeno livro considerado “caderno-de-ouro”, para se angariar donativos a fim de poder-se pagar as despesas efetuadas com o patrimônio, pelo que, foi criada uma comissão para proceder a devida coleta por ocasião dos festejos.
No final, o Pe. Paulo, devolveu o tal “caderno-de-ouro” completamente em branco, sem nenhuma assinatura.
Em vista da negativa, no dia 20 de março, o Sargento Odilon toma uma atitude: levanta cedo, veste seu uniforme de gala, cinza, feito em Curitiba, tal um grande comandante, adentra ao pátio do acampamento, aprumado, firme, peito saliente com a elegância natural de um general de verdade a dar cartas.
“Com o livro, o tal “caderno-de-ouro” debaixo do braço, não tive dúvida de assaltar o povo. O primeiro que ataquei, fui eu mesmo, de vez que, a primeira assinatura foi a minha com 100$000 réis, (¼ do meu soldo, posso dizer, porque era 420$000, como 2o sgt.) a Segunda assinatura, foi do meu colega Luiz Fioravante, também com 100$000 réis. A 3a assinatura foi do meu colega José Antônio de Bulhões, com 50$000 réis. O Tenente Darcílio Leal de Menezes que estava comandando interinamente a 1a Cia. foi a quarta assinatura, com a quantia de 100$000 réis. Em seguida, Ten. Dipp prontamente também dera 100$000 réis, sendo a quinta assinatura no respectivo livro. Depois seguiram outras assinaturas, como: a do Macário Aristimunha, Basílio Barbosa, Osvaldo Monteiro, cada, com a quantia de 100$000 réis; Jaime Artigas, Nenê Barbosa, com 50$000 réis cada; Fábio Martins Barbosa também com 100$000 réis; Chavasco com 50$000 réis, e o restante de todas as assinaturas, foram desta quantia para menos”.
Para se ter uma ideia de valores correspondentes, a quantia de 100$000 réis (Cem mil réis) era o preço de uma vaca gorda e bem grande nessa época.
Com a arrecadação que fizeram dos donativos, Queiroz,  Fioravantes e Bulhões, os três membros responsáveis por tudo, foi possível efetuar o pagamento aos obreiros que fizeram as modestas construções: igreja e a escola outros trabalhos, bem como todas as despesas de compra de materiais.
No final da tarde do dia 20 de março de 1938, mediante recibos, onde constava as assinaturas para efeito legais foi a prestação de contas. O dinheiro arrecadado deu para pagar as dívidas.
Colocando em funcionamento a Primeira Escola, Visconde de Taunay.
No dia 21 de março de 1938, iniciou as  matriculas na Escola “Visconde de Taunay”.
Ao todo 45 alunos de ambos os sexos foram listado para uma sala de aula multisseriada, primeiro ao quarto ano. Entre outros, as minhas filhas do Sargento Queiroz,  Terezinha de Queiroz e Adalgisa de Queiroz de 8 e 6 anos respectivamente.
A situação da Escola
O prédio era um galpão-de-palha muito mal feito e muito mal coberto, que apenas uma neblina chegava para molhar tudo lá dentro.
As paredes, portas e janelas tudo de taquaruçu rachado, batido de qualquer jeito e que tomaram formas tortuosas com o brusco ressecamento, acabaram de ser as vestimentas de sua pobreza. E como gostavam de trincar com o vento de úmido inverno! Impulsionado por ele, chegavam a balançar-se num vaivém, produzindo sons tristes e agourentes pelas gretas dos taguaruçus rachados de conformidade com a pressão do ar.
O primeiro professor que se conseguiu, foi o Sr. Paulo Nogueira, que dentro do seu conhecimento, fez o que pôde com zelo e carinho na alfabetização daquelas crianças até março de 1939.
No próximo Texto,
1.       A Comissão de Fundação Entre outros, Sargento Queiros, Bulhões, Fioravante e a transferência do novo povoado para a administração das autoridades de Nioac;
2.      O Nascimento do primeiro Guialopense, filho do Sargento Bulhões.
3.      Um Pouco mais sobre a Escola Visconde de Taunay.
Continua... 

domingo, 18 de março de 2018

GUIA LOPES DA LAGUNA - 80 ANOS DA FUNDAÇÃO DA CIDADE 1938 * 2018 - I

PARTE 1

José Vicente Dalmolin
Guia Lopes da Laguna
80 anos da Fundação da Cidade
(A última filha caçulinha do município de Nioaque)
19 de Março de 1938 – 19 de março 2018


A fundação da Cidade de Guia Lopes da Laguna e mais tarde tornando-se município, desmembrado de Nioaque, teve dois momentos históricos,  solenes e festivos:
12 de fevereiro de 1938, Ato Oficial com registro de fundação em local de residência de José Francisco Lopes, o penúltimo filho do Guia Lopes (também chamava-se josé Francisco Lopes).
19 de março de 1938, Ato Religioso e festivo, local nas proximidades da atual praça, frente a Igreja de São José.
Em 1938 foi fundado simplesmente como “Patrimônio Guia Lopes”
A partir de 1942, por lei e definição do IBGE, foi incorporado o nome “Laguna”,  para diferenciar da cidade de Guia Lopes, em Minas Gerais e do ponto da Estação  Ferroviária Guia Lopes, nas proximidades de Aquidauana. Oficializando assim a denominação de “Guia Lopes da Laguna”.
Bibliografia básica:
Guia Lopes da Laguna, Nossa História, Nossa Terra, Nossa Gente. José Vicente Dalmolin. 2012. Obra digitalizada.
No Transpirar da Vida. Odilon Queiróz. 2006. Obra digitalizada.
Diário Histórico de Guia Lopes da Laguna. 2012. Bião Netto. Obra Digitalizada.

Um breve resumo destes dois momentos em dois artigos.

      1.      Antes uma breve contextualização
Da Construção da Ponte sobre o Rio Miranda a fundação da Cidade de Guia Lopes da Laguna
Nos anos de 1930 o Exercito Brasileiro coordenou e executou diversos serviços por todos os pontos do Estado de Mato Grosso. Trabalhos que foram desde abertura e melhoria de estradas rodoviárias, construção de pontes, campos de pouso para aviação, além da integração e contribuição para a segurança e conter movimentos armados.
Uma deste conjunto de obras, onde teve a participação fundamental das unidades militares aquarteladas no sul de Mato Grosso, destaca o Batalhão de Engenharia que tinha sua sede fixa na cidade de Aquidauana, foi o da integração entre as cidades de Aquidauana – Nioac – Bela Vista e Porto Murtinho. Guia Lopes da Laguna e Jardim não existiam
A Margem direita do Rio Miranda (hoje Guia Lopes, pertencia ao Município de Nioac)
A Margem esquerda do Rio Miranda (hoje Jardim, pertencia ao Município de Bela Vista)

Em 1934 o  Batalhão se deslocara  de Nioaque para a Fazenda Jardim, em vista da ordem do Comandante da Região Gal. Newton Cavalcante, e como tal, foi chegando à mudança e atirada à margem esquerda do Miranda sem a devida escolha do local do acampamento, porque, nem sequer, por sinal, existia uma barraca armada ou qualquer vestígio de início de instalação de acampamento, porque tempo não houve para tais providências.
A passagem pelo passo velho da fazenda Jardim estava péssima, e com o tráfego constante das nossas viaturas, dia-a-dia piorava. Tornou-se mais viável pelo local onde ia ser construída a ponte. De início era assim: esticou-se um cabo de aço de margem a margem com duas roldanas, nas quais, pendurado um caixão que, puxado para um lado e para outro, transportava tudo: material, gêneros, forragem e pessoal.


Segundo depoimento de José Bião Neto, publicado na Revista Executivo Plus1, 1986,  “Como militar chegou em Aquidauana, para servir no 4º Batalhão de Sapadores.  Sapadores era uma unidade militar,  encarregada de tudo aquilo relacionado com movimento de terra, por exemplo, trincheiras, poços de água, pontes, etc.   Isso foi em 1935, mais dois anos depois, Bião Neto foi  transferido para a  1ª Companhia do Batalhão de Sapadores, sediada no então chamado Acampamento do Rio Miranda (hoje Guia Lopes).



Passarela sobre o rio Miranda. Confluência entre o rio Santo Antônio e o Miranda.

Apesar do Btl. estar mais com as suas atividades opostas à direção da Fazenda Jardim, construiu, porém, aí, a ponte de concreto armado sobre o rio Miranda. É uma bonita obra de arte com a sua estrutura em forma de arco. A Firma empreiteira Tomé & Irmão, foi quem a construiu.
Os fiscais desta obra de arte foram os seguintes: Tenente Theodorico de Faria, Tenente Clodoaldo de Oliveira Basto e Capitão Reinaldo Pessoa Sobral. Este último oficial era também o Comandante da 1a Cia, cujo acampamento ficava à margem direita do rio Miranda.
Os trabalhos de mais urgência da Cia estavam sendo os de construção de cortes e aterros adjacentes à referida ponte. Esse trabalho era feito por tarefa. Escavação manual – 5,3m em média para cada homem – e o transporte do material escavado, em caminhão concluía o jornal do dia, nessa base, para a turma empregada nesse mister.
Fizemos, portanto à véspera do Ano Novo de 1938, alegres com a mesma fé que fala bem alto em nossos corações, em nossas almas que constitui a singular humanidade – a sua razão de ser uma coisa demais sublimada – divinal – como esplendoroso reflexo da luz do santo amor de Deus.
O tempo estava chuvoso. Água do céu caia incessantemente o dia inteiro e continuou pela noite adentro. Os nossos ranchos-de palha sempre demais eriçada ao calor do sol, como galinhas arrepiadas, em virtude das chuvas, não se apresentavam assim; tinham as folhas assentadas com o peso da umidade de forte inverno, a pingar.
Reunimo-nos todos do acampamento: sargentos, cabos soldados, civis, nossas famílias e alguns vizinhos com o Sr. José Francisco Lopes, filho do célebre “Guia Lopes” da história da Retirada da Laguna, e família, que foram uns dos nossos convidados...
Este ancião José Francisco Lopes Filho, não poderia deixar de tomar parte em nossas festas, Além de ser filho do extraordinário “Guia Lopes”, ocupávamos nós, bons hectares de terras com o acampamento da 1a Cia de Sapadores ali instalada  há muito tempo, cedidos por ele com grande prazer.
Como fortes paladinos da propaganda da fundação de um  Patrimônio (termo que se empregava para a fundação de um povoado, vila, cidade)  que se falava – do patrimônio que não se sabia ainda como poderia ser, como deveria ser e quando deveria aparecer esse bicho vagamente sonhado, sem meios, sem recursos e sem nada, estavam os sargentos: Bulhões, Fioravante e Odilon, metidos a resolver uma cousa difícil, que ainda hoje fico a pensar, como conseguimos tal proeza, de vez que, outra cousa não fazíamos, senão conversarmos daquele jeito somente no boteco do gringo Jaime Artigas.
Impressionado então como poderia ser realizado o nosso sonho, ficava eu a pensar, e, sem outro objetivo, a idealizar as suas formas. Finalmente, conhecendo eu um pouco do traçado de quadras, lotes, praças da urbanização de Aquidauana, primeiro peguei uma carteira vazia de cigarro “Ascot” e nela desenhei uma quadra dividida em lotes e daí, numa folha de papel almaço sem pauta, fiz então, tosca planta do sonhado burgo e de acordo com Fioravante e Bulhões, ficou estabelecido aquele traçado para o começo do patrimônio.

Considerando que o acampamento estava em terras das propriedade do Senhor Lopes, a fundação de um Patrimônio precisaria de uma área de terra.
Chavasco era o homem indicado para abordar o Sr. José Francisco Lopes Filho com as suas maneiras e conversas de bom diplomata; ao seu lado estaria Fioravante, por ser artista para conseguir as cousas; Bulhões, se manteria em guarda com a sua folga de simplicidade que estava o povo sertanejo
Encontrava-se o velho Lopes do lado de fora sob a biqueira da casa, na parte sombria ao cair da tarde, sentado num banco rústico, (um pedaço de costaneira de pé cambaios), O qual demonstrava ter sido feito há muitos anos, quem sabe, por seu pai? Estava liso e até brilhante como se envernizado, de tanto se sentarem nele. Fumava um cigarro de palha um tanto grosso e algumas baforadas de fumaça divulgamos de longe. Esta sua pobre moradia de quatro águas, de taipa, cobertura já velha de capim- sapé tinha a cor de terra que era vermelha, e o esqueleto da armação das paredes: pé-direito e varais estavam à mostra, por ter o bruto reboque caído com o lavar das chuvas de vários invernos. A casa dava os fundos para o S. Antônio que bem perto passa.
Não tínhamos pressa de puxar o assunto da razão especial da nossa visita. Os minutos iam passando sem demonstrarmos preocupação alguma.
De sorte que, o que tínhamos a tratar, partiu naturalmente – do próprio velho Lopes – que de certo, por ouvir falar tanto, já estava desejoso pela realidade do patrimônio falado em suas terras.
Moderadamente, Chavasco mostra-lhe a improvisada planta do Patrimonio (cidade), contando-lhe tudo; que o patrimônio terá o nome de “Guia Lopes” em homenagem ao seu pai; que o padroeiro da igreja, será São José, por ele se chamar José, bem como seu pai; que as principais ruas terão o nome de: Coronel Carlos de Morais Camisão, Coronel Pedro Rufino, Coronel Porto Carreiro, Capitão Pisaflores... conforme já figurava na planta.
Pois bem meus amigos; vamos fazer o seguinte: Darei de princípio, 20 hectares de terras,  compreendidos entre o grotão e a divisa com as terras Fábio Martins, está bem? – Ficam satisfeitos? Então está dito. Eu e a minha mulher e os filhos, já conversamos muito a respeito desse patrimônio. Todos acham bom e estão plenamente de acordo.
O terreno doado pelo Sr. José Francisco Lopes, limita-se a Leste com uma pequena bacia que vai se estreitando para o Sul, de acordo com as condições topográficas do solo, formando assim o Grotão, para o escoamento das águas da referida bacia, pelo inverno; a Oeste, com os terrenos do Sr. Fábio Martins Barbosa; ao Sul com o rio S. Antônio e ao Norte, até onde se projeta o seu limite.
A Escritura de Doação:

CERTIDÃO

            “CERTIFICO, que a pedido de parte interessada revendo nos arquivos de meu cartório no livro nº 03, as fls 44/45, no ano de 1938 a 1940, consta o seguinte documento:

            Escritura Publica de doação que fazem José Francisco Lopes e sua mulher Dona Maria Rufina Lopes,  como doadores e a Prefeitura Municipal de Nioaque, como donatária, na forma abaixo: 

Saibam quanto esta escritura publica de compra e venda digo de doação virem que no ano de mil novecentos e trinta e nove, aos cinco dias do mês de Julho do dito ano, nesta cidade de Nioaque, ,termo de igual nome, Comarca de Aquidauana, Estado de Mato Grosso, em meu Cartório compareceram, perante mim tabelião, partes entre si justas e contratadas a receber: de um alado como outorgantes doadores José Francisco Lopes e sua mulher Dona Maria Rufino Lopes, brasileiros, maiores, proprietários, residentes neste município, estando a doadora Maria Rufina Lopes, representada neste ato, por seu marido e procurador o outorgante doador José Francisco Lopes; e como outorgada donatária a “Prefeitura Municipal de Nioaque”, representada legalmente por seu Prefeito Municipal, o Cidadão Antonio de Oliveira Flores, todos meus conhecidos pelos próprios  de que trato e dou fé, e as duas testemunhas adiante nomeadas e assinadas, perante as quais pelo  outorgante doador me foi dito, que sendo legítimos possuidores de uma parte de terras situadas na “Fazenda Jardim”, deste Município, no lugar denominado “Guia Lopes”, medindo a área de 20 hectares, limitando-se:  ao poente, com a linha divisória com as terras de Fábio Martins Barbosa; ao sul com o rio Santo Antonio; ao nascente pelo Grotão e ao poente, digo norte com terras dos doadores; terreno este que se acha livre e desembaraçado de quaisquer ônus ou hipotecas, inclusive legais e que adquiriram por herança e que se acha registrada sob n.º de ordem 360, do livro n.º 3 desta ex-Comarca, pela presente escritura, de suas livres e espontâneas vontades doam, como efetivamente doado tem, o terreno acima descrito, à outorgada donatária Prefeitura Municipal de Nioaque, para o fim especial de ser utilizada pela servidão publica e sob a fiscalização da donatária.  Pela  outorgada, por seu representante legal, me foi dito que aceitava esta escritura de doação, em todos os seus termos, por estar de inteiro acordo com o ajustado e contratado entre si e os doadores.  A pedido das partes lavrei esta escritura a qual lhe sendo  lida e perante as mesmas testemunhas, aceitaram  outorgada e assinam, com as testemunhas cidadãos Carlos Dobes e Synesio Chavasco, maiores, capazes, residentes nesta cidade, conhecidas de mim tabelião pelas próprias de que trato e dou fé, que a escrevi e assino em público e raso. 

 Em Testº (estava o sinal publico da verdade).

            Dado e passado aos dez dias do mês de Dezembro de mil novecentos e setenta e nove, nesta cidade e distrito de Nioaque, Comarca de Aquidauana, Estado de Mato Grosso do Sul, que por ora me reporto e dou fé.  Eu Rui Alves de Lima, Tabelião que mandei datilografar subscrevi e assino.
(Extraído da transcrição original, fornecida pelo Cartório de Nioaque).

Tempos mais tarde, o Sr Fabio Martins Barbosa, lindeiro de Lopes e do Patrimônio, também fez uma doação de uma área de 25 hectares que foi anexado para a fundação da cidade.

CERTIDÃO

       CERTIFICO, que a  pedido de parte interessada que revendo nos arquivos de meu cartório no livro n.º 3, as folhas 51/52, ano de 1938 a 1940 consta o seguinte documento:

Escritura Publica de doação que fazem e assinam Fábio Martins Barbosa e sua mulher com a Prefeitura Municipal de Nioaque, como abaixo se declara:

Saibam quanto esta escritura pública de doação entre vivos, virem que,  ano de mil novecentos e trinta e nove, aos trinta dias do mês de Agosto do dito ano, na Fazenda do Senhor Fábio Martins Barbosa, onde eu tabelião ai me achava, sito neste município de Bela Vista, neste Estado de mato Grosso, perante partes entre si e justas contratadas a saber de um lado, como outorgantes doadores o cidadão Fábio Martins Barbosa e sua  mulher Deolinda Barbosa Martins, residentes no Município de Bela Vista, casados, fazendeiros, e como outorgada donatária Prefeitura Municipal, o cidadão Antônio de Oliveira Flores, todos  meus conhecidos, pela própria de que trato e dou fé, e as duas testemunhas adiante nomeadas e assinadas, perante as quais pelos outorgantes doadores me foi dito que sendo legítimos possuidores de uma parte de terras pastais e lavradias, situada na fazenda Jardim, no Município de Bela Vista, digo no Município de Nioaque, neste estado, no lugar denominado Guia Lopes, compreendida dentro dos seguintes limites:  ao Norte, pelo lado esquerdo do aterro e corte da estrada e automóvel que vai de Aquidauana à Bela Vista, desde a ponte sobre o rio Miranda até o aramado que divide as terras dos doadores, com as terras doadas a Prefeitura Municipal de Nioaque, pelo Sr. José Francisco Lopes e sua mulher; ao nascente pelo dito aramado, em rumo ao sul, até alcançar o rio “Santo Antônio”, limitando-se em toda esta linha com a referida terra doada a outorgada Prefeitura Municipal de Nioaque, ao sul, pelo rio “Santo Antonio” abaixo da barra da cerca de arame até a sua foz no rio Miranda; e abaixo até a ponte da referida  estrada de automóvel de Aquidauana à Bela Vista, fechando desta forma o perímetro de terras doadas por força desta escritura.   Doação esta os outorgantes fazem a Prefeitura Municipal de Nioaque, para o fim de aumentar o terreno destinado ao povoado denominado Guia Lopes, para o fim especial de ser utilizada pela servidão pública sendo a bem e ao rumo digo progresso do referido povoado e sob a fiscalização da donatária.  Pela outorgada representada pelo seu Prefeito Municipal cidadão Antonio de Oliveira Flores, me foi dito, em presença das mesmas testemunhas que aceitavam esta escritura de doação, em todos os seus termos, por estar de inteiro acordo com o ajustado e contratado entre si e os doadores.   E a pedido das partes, lavrei esta escritura de doação, a qual lhes sendo lida, perante as mesmas testemunhas que são os cidadão Braz Réa e Roldão Ferreira de Lima, brasileiros, maiores, casados, comerciantes, residentes no Município de Nioaque e meus conhecidos do que trato e dou fé.  Eu Sebastião David Medeiros, tabelião que a escrevi e assino em publico e raso.

  Em Testº (estava o sinal publico da verdade)

Dado e passado aos dez dias do mês de dezembro de mil novecentos e setenta e nove, nesta cidade e de Nioaque, Comarca de Aquidauana, esta de Mato Grosso do Sul, que por ora me reporto e dou fé.  Eu Rui Alves de Lima, tabelião que mandei datilografar, subscrevi e assino.

(Extraído da transcrição original  fornecida pelo Cartório de Registro da cidade de Nioaque)

Diante do arrojado prenúncio da realidade do patrimônio, o Sr. Fábio Martins Barbosa, não obstante nos tratar sempre bem, não deixou de desconsiderar o nosso apelo, quando por mais de uma vez em sua casa o procuramos, solicitando-lhe sua ajuda aos nossos ideais, pois, queríamos e precisávamos contar com ele, com seu apoio, como companheiro.

Como abastado fazendeiro pertencente a grande família Barbosa, distinta e de valor como é, e, também, pertencente a família do famoso “Guia Lopes”, porque era casado com uma neta deste grande herói, D. Deolinda, por tudo isso, ninguém pode contestar dos nossos esforços, do grande empenho que fizemos para atraí-lo, e convencê-lo.
Pretensão – fundar um patrimônio em suas terras ou próximo – e assim, como pequeninos lhe pareciam os três Sgts: Fioravante, Bulhões e Odilon.
Em virtude dos nobres gestos e atitude do Sr. Francisco José Lopes Filho em doar 20 ha. Para a fundação do patrimônio, eis que o Sr. Fábio Martins Barbosa aprontou:
Sem falar conosco cousa alguma, não sei por que carga d’água deu na cabeça dele de fazer uma revolução da noite para o dia, na calada, com referência ao patrimônio, e tratou de uma forte campanha, tornando-se desta maneira o chefe absoluto – o ditador a moda sertaneja, da história. E assim, não poderia deixar de mandar mensageiros por todo o lado, para as bandas de Patrimônio Bonito, Murtinho, Dourados, Margarida e até lá para a região de Vacaria em cima da serra e por toda a parte, convidando amigos e parentes a uma reunião na Fazenda Jardim no dia 12 de fevereiro de 1938, a respeito da fundação de um patrimônio, que não sei se teria o mesmo nome de Guia Lopes”
Ten. José França que estava respondendo pelo comando da Companhia, e os Tenentes: Darcílio Leal de Menezes e Afonso de Menezes Dipp que se encontravam no acampamento, ficaram admirados de ver tanta gente.
O Sr. Fábio Martins Barbosa, acompanhado de respeitáveis amigos, sem dúvida nenhuma, fazendeiros e parentes seus, estranhos para nós, se dirigiu ao P.C. (posto de comando) onde se encontrava os oficiais. Fábio Martins foi recebido com a devida consideração, bem como seus amigos, pelo Ten. José França e os dois colegas: Darci e Dipp. Ali se demoraram conversando cerca de 15 minutos. Não poderia deixar de convidá-los para tomarem parte na festa, porquanto, tratava-se da fundação de um patrimônio. Chavasco que se encontrava palestrando com os oficiais, foi também convidado. Não poderiam deixar de aceitar tão honroso convite, e, assim, Fábio Martins saiu de lá todo contente e orgulhoso.

      2.O ato Oficial de Fundação, Dia 12 de Fevereiro de 1938
Eram seguramente 12 horas. Muita gente já se encontrava reunida no local da festa. Não sei de onde saiu tanto povo. Estava em cima da hora. Os oficiais se dirigem para lá. Em face da ordem do Cmt. da Cia. Tenente França, nós acompanhamo-lo. Com a chegada dos oficiais, o povo ainda mais se aglomerou. Logo depois, não sei se apedido do Sr. Fábio Martins ou por sua espontaneidade, o Tenente França fez uso da palavra trepado na cabeça de um toco de uma árvore cortada, para assim se ouvir melhor.

Com um timbre de voz vibrante, ecoante, de maneira surpreendente e sugestiva, falava ao povo como um bom orador. Suas palavras calorosas e emocionantes – partindo do coração, transformaram aquela simples reunião promovida pelo Fábio que, por certo, ninguém compreenderia o seu sentido, o seu valor, num improvisado altar da Pátria em plena campanha. Todos ali presentes, passaram a ver e a sentir na despertada imaginação a través da crença, da fé que se avolumava, que se renovava em cada um, a bonita imagem de um Brasil moço, forte, rico e poderoso, talhado pelas nossas mãos – como brasileiro que somos – pelos nossos ideais sublimes e edificantes; de um Brasil de ideias novas, construtivas e salutares; de um Brasil culto, inteligente, civilizado, progressista e varonil que, _ muito bem simboliza o Pálio sagrado, tal e qual, o incalculável valor de nossas riquezas cada vez mais vicejantes. Assim, esta imagem sacrossanta da Pátria querida, muito altaneira, tremula feliz, ao sopro de menor brisa a beijar-lhe carinhosamente, confiante, muito confiante mesmo, nos seus amados filhos, garantida por seus filhos que somos nós.

As suas palavras não foram pregadas no deserto. Tiveram talento e fé. Os seus efeitos foram prodigiosos.

Versou sobre a epopeia da “Retirada da Laguna”, cujos heróis que ali mesmo tombaram não vencidos em 1867, enobrecendo de maneira admirável a grandeza e o valor da Pátria estremecida, expôs à estima e à carícia do nosso afeto por ela. Ressaltou o nome do velho sertanejo José Francisco Lopes, o “Guia” Lopes, que deixou de lado a terra em que pisamos – a grande e histórica Fazenda Jardim – que era sua, entregando tudo a Pátria – o seu gado, a sua propriedade e a própria vida – num resgate amargo, muito caro, de profunda dor e de extremo sacrifício, como protesto as crueldades e brutais violências praticadas pelos soldados do ditador do Paraguai Francisco Solano Lopes, invasores audazes do solo pátrio. Foi assim que fizeram os nossos antepassados – valentes ancestrais estes – que não se incomodaram de perder a vida, para em troca, nos legar, assegurar esse mundo de incomparáveis riquezas     que hoje desfrutamos folgadamente com a liberdade que nos confere o direito, como sempre, de donos que somos. Nos pertence este Brasil imenso e abençoado por Deus. E, por sinal de Sua graça, vemos no céu, bem alto, o invejável “Cruzeiro do Sul” que consideramos nosso também, muito cintilante e de forma preciosa e viva, como a pureza de nossa fé, a guiar-nos aos impulsos de delicado e compreensivo amor que nos leva a Divindade; simbolizando naturalmente assim na expressão máxima da cristandade, as coisas dos céus – o nosso grande amor que se reflete através dos bons sentimentos humanos – à beleza de iluminada razão na prática dos direitos humanos e da justiça – que vai nos guiando às coisas sublimes da Vida Eterna. Esta nossa herança, é uma das maiores riquezas do mundo, e, finalmente, a mais bela, a mais sagrada. Devemos, pois, conserva-la, cuidá-la com todo desvelo, com toda a força do que é capaz o nosso amor, para que ela se torne mais encantadora, mais forte, mais digna, mais rica e poderosa.

A elegância do Tenente José França, naquele momento, dominado por elevados sentimentos patrióticos, creio, que fez admirar a si próprio.

Descambado para os bons acontecimentos daquele dia, apontou para o 2o Sgt. Odilon de Queiroz, 3o Sgts: José Antônio de Bulhões e Luiz Fioravante fez sentir a todos os presentes, que eram eles os principais responsáveis pela criação do patrimônio que ora se anunciava, visto que, notando eles essa campanha completamente despovoada, por grande amor ao nosso Brasil, vem há muito tempo concitando o povo bom amigo da região, a todos, enfim, para juntos, fundarem esse patrimônio aqui nas terras da Fazenda Jardim.

Foi por isso que o Sr. José Francisco Lopes Filho doou 20 ha. para os devidos fins, e que terá o nome de Guia Lopes da Laguna, em homenagem ao grande herói brasileiro. É justamente por isso também, que o Sr. Fábio Martins Barbosa promove esta soberba festa, oferecendo assim, farto e apetitoso churrasco a todos. E muito feliz como encontro-me por dirigir-vos a palavra povo dessa fronteira querida, cabe-me o dever de elevar com alto apreço, o nome deste ilustre cidadão Sr. Fábio Martins Barbosa, pelo seu grande entusiasmo pelas coisas que elevam a nossa Pátria, abreviando desta forma tão providencial, com este seu gesto tão nobre, com essa sua valiosa ajuda, o nascer do enunciado patrimônio, onde, verdadeiros espíritos de brasilidade se comungam numa sadia manifestação soberba, bonita, pelo progresso do nosso querido Brasil.

Portanto meus senhores e minhas senhoras, confesso ainda, que me sinto orgulhoso por comandar sargentos, como, Odilon de Queiroz, José António de Bulhões e Luiz Fioravante, meus valentes companheiros de jornada no desbravamento dos sertões, forçando assim, risonho futuro de nossa querida pátria através de tantos sacrifícios, na dura luta de seu porvir todo cheio de grandeza e de felicidade, conforme palpitam em nossos corações ansiosos nessa grande luta.

São, pois, eles, os principais responsáveis pela criação do patrimônio, que vem a se chamar Guia Lopes. Cabe a eles, o simples direito, portanto, de assinarem primeiro no caderno em branco que se encontra nessa mesa aí posta, para receber as assinaturas de todos os presentes, de todos que tomam parte nessa importante reunião que, verdadeiramente, é uma festa de grande significado para a nação, porque, somente se reflete em elevados espíritos dotado de bonitos sentimentos patrióticos. E com “Viva o Brasil!” – conclui a sua impressionante oração.

Entre outros, assinaram o caderno de registro:
Sgt. Odilon de Queiroz,
Sgt. José Antonio de Bulhões,
Sgt. Luiz Fioravante
Ten. José França,
Ten. Darcílio Leal de Menezes,
Ten. Afonso de Menezes Dipp,
Sinésio Chavasco,
Basílio Barbosa,
Fábio Martins Barbosa,
Osvaldo Monteiro,
Macário Aristimunha,
Cabo Antônio Celestino de Queiroz,
Jaime Artigas,
Cabo José Macedo,
Sd. Severino Felix da Silva
José Francisco Lopes
E todos os demais presentes...


 No verso da fotografia continha os seguintes dizeres: “Em 12 de fevereiro de 1938 Photografia da 1ª reunião para a fundação do Patrimônio Guia Lopes”
Oferta de Fábio Martins

Ainda no mesmo dia 12 de fevereiro,  reuniram-se os principais companheiros, e num bom entendimento, ficou programado o que se tinha a fazer, marcando-se a data da fundação de Guia Lopes  para o dia 19 de março, dia de S. José, apenas 34 dias após.
Não deixamos de passar um telegrama para o governador do Estado, participando-lhe dos bons acontecimentos que promulgavam o fundamento do citado patrimônio”.
“Exmo. Sr. Dr. Getúlio Vargas,

DD. Presidente da República, Palácio do Catete, Rio.
Qualidade ultimo filho sobrevivente velho sertanejo Guia Lopes, grata satisfação comunicar vossência, doze fevereiro, histórica Fazenda Jardim, minha propriedade, realizou-se grande reunião, fazendeiros, pessoas gradas, exmas. Famílias, municípios Bela Vista, Bonito e Nioaque, fim fundação Patrimônio Guia Lopes homenagem memória  saudoso pai, tombou mesmo local, defesa integridade Pátria.  Gesto nobre,  patriótico, sob auspícios briosa oficialidade,dignos sargentos 1º Cia. 4.ª B.S. há muito acantonado estas  paragens, obteve grandes aplausos população por vir plantar rica vastíssima zona, exemplo verdadeiro civismo e sentimento patriotismo gerações vindouras.   Reunião foi presidida digno comandante companhia, qual expôs fim mesma, dissertando feitos heróicos componentes Retirada da Laguna, quais tombaram vitimadas cólera, justamente solo onde se fundou Patrimônio. Dr. Sinézio  Chavasco, fazendeiro  palavra, congratulou-se ato patriotismo, relembrou feitos gloriosos Exército Nacional, dissertando  atual regime sob benéfica orientação vossências.  Foi dado conhecimento Dr. Interventor Federal, remetendo Ata dia 12 de fevereiro.  Pedindo Vênia vossência solicito nome povo patrimônio apelando sentimento patriotismo eminente chefe, possível fundação pequena escola federal, prática agricultura e pecuária, ramo nosso grandioso Estado, qual trará imenso resultado benéfico região onde tudo é feito sistema rotineiro.   Sede Patrimônio, localizada belíssima campanha, sob ponte rio Miranda, margem rodovia construída glorioso 4.º B.S. pouca distância campo Santo onde repousam restos mortais heróis Retirada da Laguna a poucos passos tapera onde viveu inesquecível Guia Lopes.  Certo Vossências atendendo apelo prestando  essa homenagem, velho sertanejo, imenso prazer dizer-vos que com 76 anos último filho sobrevivente Guia Lopes, morrerá satisfeito benefício mocidade vindoura, abençoado nome nosso Interventor Federal e Ilustre Presidente.             

Respeitosas Saudações

José Francisco Lopes”

1.      Ato Religioso da Fundação, dia 19 de março de 1938

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Construção de uma igrejinha.
Construção de um rancho para escola.
Construção de um poço público.
Compra de material.
As Festividades.


Continua...







domingo, 28 de maio de 2017

150 ANOS DO FALECIMENTO DO GUIA LOPES, JOSÉ FRANCISCO LOPES


“Saibamos morrer! Dirão os sobreviventes, o que fizemos?!”

O Guia Lopes, do “Homem” José Francisco Lopes” ao mito do “Heróis”
150 Anos do seu Falecimento
27 de maio de 1867 – 27 de maio de 2017
José Francisco Lopes, 1864

O “Homem” nasceu no dia 26 de fevereiro de 1811, em terras de Piumhi, Minas Gerais, onde fora registrado. Filho de Antônio Francisco Lopes e Theotônia Joaquina de Souza.
Faleceu no dia 27 de maio de 1867, aos 56 anos de idade, em terras que lhe era proprietário, atualmente, Município de Jardim, Mato Grosso do Sul.
Certidão de Batismo/Nascimento de José Francisco Lopes

“Aos sete de maio de 1811 batizei e pus os santos óleos a José, párvulo nascido a vinte e seis de fevereiro, filho legítimo de Antonio Francisco Lopes e Teotonia Joaquina de Souza, neto pela parte paterna de Manoel Francisco Lopes, natural de Portugal e de Joana Costa Ribeiro, natural da Freguesia de Itabira e pela parte materna, de Joaquim de Souza Costa, natural de Itaverava e de Teotonia Maria das Neves, natural de Curral Del Rei. 

Foram Padrinhos Francisco de Paula Machado e Maria Felicia de Jesus, solteiros, filhos do Furriel Antonio Vicente Machado, todos desta Freguesia. Para constar fiz este assento. O Vigario Vicente Inacio da Silva”.

Há 150 anos deixava a existência física o “Homem” e nascia para a posterioridade histórica apenas o “Guia Lopes”.

Foi assim que comecei a estuda-lo e conhece-lo!

Muitos só o conhecem e estudam pelas narrativas da sua participação junto às Forças brasileira que operaram ao Sul da então Província de Mato Grosso, hoje sendo o Estado de Mato Grosso do Sul, nos registros do Oficial do Exército Brasileiro Alfredo Maria Adriano d'Escragnolle Taunay, o Visconde de Taunay, no livro “A Retirada da Laguna”. Portanto, quem desejar obter mais informações, sugiro retomar a leitura de uma Obra ou as publicações as quais disponibilizei nas páginas do Blog.

O impressionante que o período de convivência entre o “Homem” com o Oficial Taunay foi exíguo para ter rendido tantas histórias. Para ser mais preciso, foi entre 24 de janeiro de 1867, no acampamento na povoação de Nioac (Nioaque). Marcharam juntos até a Invernada de criação de gado, Laguna, (Estancia Arroyo Primero, depois da guerra), Território da República do Paraguai, hoje, terras deBella Vista Norte, Distrito e cidade do Paraguai, Departamento de Amambay. Iniciando o caminho inverso, A Retirada, recuo, do Exercito Brasileiro das terras da Laguna em 8 de maio. Deste ponto marcharam por campos sujos e estradas inexistentes até acamparem na margem esquerda do rio Miranda, nas proximidades conhecida por Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna, terras do Município Jardim-MS. em 27 de maio de 1867. Portanto, uma convivência de aproximadamente 123 dias.

Por outro lado, pouco se escreveu, comenta, estuda sobre suas ações em território mato-grossense e sul-mato-grossense entre o período de 1830 a 1864.

Junto com os irmãos Gabriel, Joaquim, Manuel todos “Francisco Lopes” foram pioneiros, junto com famílias “Barbosa, Garcia Leal” entre outras a explorarem cursos de rios e campos em toda a extensão sul mato-grossense entre o rio Paraná, no Leste aos rios Apa e Paraguai no Oeste. Explorações de Reconhecimento e posse de terras no interesse particular ou em expedições a interesse do Barão de Antonina, ou do Presidente da Província do Mato Grosso, ou em missões com Almirante Augusto João Manuel Leverger, conhecido por Barão de Melgaço ou interesse militar de segurança e soberania territorial cooperando para a fundação de Nioaque, Colônias Militar de Miranda e dos Dourados.

Em sua primeira núpcia com dona Maria Pereira e os três filhos
José Francisco Lopes Junior; 
Theotonia Maria Lopes; 
Ritta Lopes, viveram no território paraguaio por sete anos, 1845-1852. O primeiro faleceu no dia 26 de maio de cólera e foi um dos dez prisioneiros que fugiram do Paraguai, reencontro que aconteceu na Colônia Militar de Miranda, antes de avançar para Laguna. As duas filhas morreram no cativeiro, em Horqueta.

De volta ao território brasileiro, casara, com a viúva do seu irmão, Gabriel, Senhorinha Maria da Conceição Barbosa de Lopes, vindo a residir na propriedade conhecida como Jardim, Fazenda Jardim, Estancia do Jardim, cuja a extensão superior a 40.000 hectares, atingia a margem esquerda e direita do rio Miranda, terras entre os atuais municípios de Guia Lopes da Laguna, Nioaque e Jardim. A sede das propriedades estava estabelecida, local da atual fazenda Jardim, margem da Rodovia MS-382, Guia Lopes da Laguna à Bonito. Desta união matrimonial nasceram os seguintes filhos:
1º Izabel Porcina Lopes;
2º Fausta Felisbina Lopes;
3º João José Lopes;
4º Pedro José Lopes;
5º José Francisco Lopes;
6º Bernardino Francisco Lopes
Todos foram também prisineiros de Exército Paraguaio1865-1870. Retornaram ao Brasil com a mãe. O seu último filho, homonimo do Pai, José Francisco Lopes, faleceu em 1942. Foi quem participou e doou terras para a fundação da atual cidade de Guia Lopes da Laguna, em 12 de fevereiro de 1938, na época simplismente Nioaque.

Hoje, em todas as partes do território nacional há um dos seus descendentes genealógicos.

Dedido o dia de hoje, 27 de maio, não ao “Herói ou mito”, mas ao “Homem”, o Ser humano, José Fancisco Lopes, cognome Guia Lopes, pois foi assim que viveu com virtudes e grandezas morais, mas também com suas fragilidades, imperfeições, dores, sofrimentos, revoltas.

O homem que amou e padeceu nas terras sul matogrossenses!
O homem que amou a família e padeceu em território do Paraguai!
O homem que nutriu as esperanças do Comandante Coronel Carlos de Moraes Camisão!
O homem que nutriu as forças combatendes com as reses do seu gado!
O homem que nutriu os Retirantes da Laguna!
O homem que esqueceu de si, soube morrer, soube enfrentar as adversidades, sem jamais desistir.

Por este “amor do homem” é que a História o imortalizou, na figura do “Guia Lopes”!

Imortal também pelos dialogos e expressões, segundo Taunay, entre outras:

_ “Saibamos morrer! Dirão os sobreviventes, o que fizemos”. (Buscando elevar o moral num momento difícil da epopeia).

_ “Prometeu-me o governo dar-me, a título de recompensa, trezentos mil réis, mas nunca os pagou. Perdoei-lhe a dívida”. (Sobre uma ferida incurável que tinha na planta do pé).

_ “Nada sei, sou sertanejo, os senhores que estudaram nos livros, é que sabem”. (Em discussão no acampamento dos soldados).

_ “Desafio todos os engenheiros com as suas agulhas e plantas. Nos campos da Pedra-de-Cal[1] e Margarida sou rei”. (Sobre o caminho a ser tomado pela tropa em direção à Jardim).

_ “Só Deus eu e meu filho podemos ir de minha Fazenda ao Apa pelo campo”. (sobre o trajeto entre a Fazenda Jardim e o rio Apa).

_ “O da minha cabeça”. (Sobre o rumo que seguiria para frustrar uma tocaia dos paraguaios).

_ “Bem se vê que os senhores são novatos nessa terra”. (Aos oficiais e soldados da expedição).

_ “Quando alguém, pelo campo procura caminho nunca deve parar”. (Orientando a retirada da tropa).

_ “Deus que tudo determina, salvou-o várias vezes das mãos dos homens para tomá-lo hoje”. (Sobre a morte do Filho2)

_ “Agora que importa? Entreguem à terra o que lhe pertence”. (Quando lhe disseram que a terra em que seu filho seria sepultado estava encharcada).

_ “Salvei a expedição! O senhor que o sabe há de dizer”. (Ao tenente-coronel Juvêncio, pouco depois de atacado pela Cólera-morbo).

_ “Reparem neste campo verde escuro, é o meu retiro. Não chegarei lá. Os senhores é que em breve estarão em Nioaque”. (Pouco antes de morrer).
Documento Assinado por José Francisco Lopes

A um documento inédito[3] do Guia Lopes falando da sua situação na data de 15 de fevereiro de 1867, cujo teor é o seguinte:

“Conforme as ordens recebidas sahi do acampamento de Nioac a 30 de janeiro dirigi-me a Colônia de Miranda em exploração dos pontos e lugares occupados (-) pelos Paraguayos. 

Tenho a honra de particioar a V. S. que encontrei vestígios de uma ronda de dez homens a Cavallo e reconheci que haviam parado e feito pouso naquella Colonia. 

Do lado do Apa notei fumaça de fogo nos campos e no Desbarrancado a sete Légua daqui verifiquei que antes das chuvas que cahiram no fim do mês próximo passado, ahi esteve uma partida inimiga.

Communico também a V. S. que vários objecto fora por mim encontrados numa ronda em agosto, havião desapparecido; o que me fes suppor que os paraguayos os tinham transportados allem do Apa.

Apresento a V.S. os meus sentimentos de respeito e alta consideração.
Deos Guarde V.Srª
Nioac 15 de Fevereiro de 1867
IImo. exm° Senr Coronel Carlos Moraes Camisão
Dignissimo command° das Forças
José Francisco Lopes”

[1] Pedra de Cal, Rio e Região – Atualmente denominado de Rio Piripucu, afluente, pela margem direita, do rio Apa, município de Bela Vista. Bacia do rio Paraguai.
História. Afonso Loureiro, Atanásio Melo e Davi Medeiros exploraram os campos do rio Piripucu, em 1874, para fazer posse. O rio era também conhecido como Pedra-de-Cal, cujo nome foi dado por José Francisco Lopes, o dedicado guia das forças expedicionárias de Mato Grosso, na campanha do Apa, em 1867. Na obra Retirada da Laguna aparece com o nome de rio das Cruzes. O termo “campos da Pedra-de-cal” refere-se toda a vasta mata e campos sujos das margens do rio.
[2] José Francisco Lopes Junior, filho do primeiro matrimonio com dona Maria Pereira.

[3] Foto arquivo do nono Batalhão de Suprimento,Guia Lopes, Memorial Guia Lopes. C. Grande. 
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O Guia Lopes, José Francisco Lopes
e a cidade que lhe homenagea
Guia Lopes da Laguna